ÁREA VIP
|
 |
| Artistas Exclusivos > Kabelo |
Baixista, compositor e intérprete lança seu 2º CD com participações de Toquinho e Badi Assad.
Um show divertido, sensual, cheio de improvisos e non sense.
Uma usina interativa de sons e ritimos que passam pelo Rock, Funk, MPB, Rap, Coco e Maculelê.
| |
|
KABELO
Cultura pop é algo por que Kabelo professa paixão com juras eternas de amor. Se não, vejamos. Começou no teatro aos 12 anos (tem 35), toca baixo e canta com energia roqueira e é apaixonado pelas raízes nordestinas da família, traduzindo-as em música. Essa é a cara do trabalho que você tem em mãos, homônimo, de 16 músicas, que recebe também as assinaturas de Leandre Gomes na guitarra e Edson X na bateria e produção - um disco lancinante, em que Kabelo coloca um pé no som negro de raiz norte-americano - soul e funk -, outro no Nordeste, declamando letras visuais como pílulas de teatro em forma de coco e embolada e as duas mãos espancando um contra-baixo, em slaps e levadas viscerais.
Você pode ouvir o trabalho dessa forma, como um mexidão. E deve realmente proceder dessa forma, pois faz todo sentido assim, como foi composto e tocado, muitas vezes ao vivo em estúdio para prezar a crueza do estilo que impõe.
Mas na hora de escrever sou obrigado a destrinchá-lo naco por naco, para que você tenha noção de como o degustei.
Vamos lá.
"Uga Bunga", que abre o disco, é rock orgânico de guitarras pesadas e vocal primal. Em "Funkapoeira", Kabelo apruma o berimbau e coloca o funk em uma roda de capoeira, adicionando baixo suingado e guitarra vigorosa.
O mesmo instrumento de seis cordas diminui a distorção e entra no balanço em "Sereia", música para se ouvir balançando a cabeça.
Se tivesse uma recomendação a Kabelo, seria a de colocar "Candangolândia" como faixa de trabalho. Afinal, é a mistura de tudo a que ele se propõe. A guitarra faz a cama até que o vocal entre como uma gangsta embolada, declamando sobre "cachaça-sangue-mulher-futebol e sol".
"Primal Hi-Tec" eleva o coco e a embolada a primeiro plano, enquanto o baixo slapeia nervoso - algo como se os red hot chilli peppers tivessem nascido no sertão que nunca virou mar.
A cacofônica "Carta para Nóia" vai do funk ao rock nervoso, volta, vai, volta e segue sem dar seta nas mudanças de pistas. E remetendo ao Chilli Peppers mais uma vez, "Lava" é uma canção que poderia muito bem estar nos primeiros discos do grupo californiano, quando esses pediam bênção a Funkadelic e Sly and the Family Stone.
Como se já não houvesse surpresas suficientes, Kabelo lança uma balada de vocal rapeado e embolado bem no meio da bolacha, "Naquê-brada".
Preste atenção ao baixo encharcado de overdrive em "Sou da rua". No refrão, a música vira quase um nu-metal, de afinação baixa.
"Baixo Radioativo" é onomatopéica e deixa a dúvida: o primeiro plano é da guitarra ou do groove da voz?
A guitarra que já foi forte, melodiosa, delicada, puxa um rock oitentista em "Lavagem Cerebral", flertando com Police e Paralamas do Sucesso. Mas a direção é entregue ao slap do baixo e tudo volta à rota Kabelo.
"Óleo da Máquina" resgata a embolada, em palavras e rimas fortes e concisas, enquanto baixo, guitarra e bateria correm atrás para acompanhar.
O baixo pipoca na "versão banda" de "Uga Bunga", e a única cover do disco, "Papagaio do Futuro", originalmente de Alceu Valença, ganha traje de passeio com guitarra pesada, climática, densa.
"Bumbo" seria divertida, não fosse tão potente. Explico. A música nasceu de um desafio do produtor do disco, Edson X, se Kabelo conseguiria tocar baixo, bumbo, chimbau e cantar, tudo ao mesmo tempo. Quer saber se conseguiu? Ouça.
"Linguicity", um improviso, fecha a cortina em nova mistura tão peculiar quanto deliciosa de bossa nova e beat box que ganha moicano punk da metade pro final.
Deu para perceber, pelo texto, que se trata de uma usina de som e ritmos? Ou por outra: de um dínamo? Caso positivo, saímos todos felizes. Você mais ainda, com o disco prontinho para ouvir.
Por Luiz César Pimentel
"Num skate imaginário
Vai tribos conquistando
Com seu baixo radioativo
E um suingue sensual
Maxixe maloqueiro
Uga bunga primitivo
Batuque de pandeiro
De fundo de quintal
Primata do non sense
Rap das quebradas
Funkeiro das esquinas
Rock and roll e berimbau
A gente ainda se cruza
Em algum beco do universo
Pois sou como você
Um cosmonauta musical"
Toquinho
"El disco de Kabelo me gustó mucho: sueña fuerte, dramático, impulsivo, de una frescura alborotada y un ritmo irresistible. El conjunto es muy energico y casi todo el disco me divertió mucho! Es una energia muy áspera de la que gustan mucho los jóvenes también en Chile"
Antonio Skármeta - autor de "Ardiente Paciencia" que originou o filme "O Carteiro e o Poeta".
KABELO E O PANELAÇO RITMICO
Ritmo está na pele, ritmo está no sangue.
Não há quem fique indiferente a uma boa batucada, à marcação de uma escola de samba, ao toque suingado de um baixo.
Um dos músicos da novíssima geração que melhor professam a fé no ritmo é o baixista KABELO. Paulistano, de nome civil Alexandre Fonseca, lança pela Circuito Musical seu primeiro CD, auto-intitulado. KABELO, o disco, é um tratado de boa música pontuado por um impressionante caldeirão sonoro.
Escudado por músicos igualmente talentosos, casos de Leandre Gomes na guitarra e violões e de Edson X na bateria e percussão (e que também assina a produção), KABELO faz uma viagem ritmica das mais ricas, indo de sonoridades afro ao cerne do rock n roll, tudo marcado por seu baixo vigoroso.
O baixista assina quinze das dezesseis faixas. É impossível não se contagiar com temas como o pulsante rock afro Uga Bunga (que aparece em duas versões) ou Funkapoeira, onde o músico descobre a irmandade entre o funk e a capoeira através da sonoridade do baixo e da guitarra fazendo as vezes de um arrepiante berimbau. Sereia é outro daqueles temas que sacodem o esqueleto, puro american funk a la Parliament-Funkadelic-Kool & The Gang-Earth, Wind & Fire-Sly & Family Stone e, claro, o pai de todos: Ave, James Brown!
Além da festa ritmica, KABELO também capricha nas letras, como na ácida Candangolândia, onde não poupa nada nem ninguém e pega pesado. Mesmo. Diz o que tem de ser dito sem alisar. Primal Hi-Tec é uma das faixas em que o músico mostra sua perícia com mais intensidade. Perícia nas cordas e no verso, que prossegue na desesperada Carta para Nóia, intrigante jogo de palavras emoldurado por baixo e guitarras densos e pesados.
Distorção é a palavra de ordem em Lava, uma quase-valsa que evoca Sepultura. Parece canção auto-biográfica, nela KABELO se define como artista e como gente.
Em Naquê-brada a atmosfera romântica de arranjo e melodia se contrapõe à rudeza da letra, um tratado sobre a temida "lei do mais forte". A verdadeira música urbana marca espaço no funk Sou da Rua. Em Baixo Radioativo, KABELO faz uma elegia à sonoridade que extrai de seu instrumento, A rechear o tema, uma guitarra ao melhor estilo Nile Rodgers na fase Chic. Ou seja, ritmo puro.
Lavagem Cerebral é um afoxé eletrofunkeado. Óleo da Máquina traz mais um exemplo da capacidade que KABELO tem de fundir sonoridades. Trata-se de uma curiosa mescla de embolada e funk. Bumbo é uma bem engendrada parceria entre baixo e percussão. Em Linguicity, que começa com uma inocente levada bossanovista, o músico faz uma pesada crítica à violência urbana em suas diversas formas, em tema que deságua num rock dos mais pesados, com direito a muita distorção.
A única releitura do CD é Papagaio do Futuro, do grande Alceu Valença, que traz à lembrança o melhor do mangue bit. Realmente, Alceu é profético e KABELO soube, como poucos, captar suas reais intenções.
Em vários momento, KABELO faz rap da melhor qualidade. Inquieto e extremamente antenado, não se deixa em nenhum momento aprisionar pelos grilhões de meras sete notas musicais. Pelo contrário, explora os meandros de seus desdobramentos. Torce, inventa, reinventa, molda, esculpe acordes. É, em suma, um grande arquiteto.
Ligado à música desde os doze anos, começou no piano migrando para o baixo aos dezoito. Conviveu e convive com o melhor da música brasileira. Para se ter uma idéia, foi roadie de Toquinho por dez anos. Hoje, são parceiros
Só isso já dá uma idéia do que KABELO é capaz de fazer musicalmente. Seu CD de estréia é prova disso. É ouvir e conferir!
Toninho Spessoto
Julho 2007
|
|